
E ainda por cima, em “Mundo Jurássico: Renascimento”, Scarlett Johansson brilha mais do que qualquer réptil pré-histórico digital. E sim, ainda há dinossauros, para quem tiver paciência, ou for autarca da câmara da Lourinhã.
Vamos ser honestos: ninguém acordou esta semana a pensar ‘que saudades de um bom filme de dinossauros’. A não ser, claro, o Professor Galopim de Carvalho, os autarcas da Lourinhã (que apostam tudo nos fósseis e nas visitas escolares), e talvez Scarlett Johansson, que, pelos vistos, adora dinossauros desde pequenina e decidiu agora caçá-los, domesticá-los e protagonizar com eles um blockbuster com assinatura de Gareth Edwards e a bênção invisível (mas omnipresente) de Steven Spielberg.
Sim, meus amigos, Mundo Jurássico: Renascimento chegou. E, pasme-se, até dá vontade de ver. E eu já vi….
TRAILER DE “MUNDO JURÁSSICO: RENASCIMENTO”
Scarlett Cor-de-Rosa com um Velociraptor ao Colo
A grande força do filme — e vamos já despachar isto — não são os dinossauros. São as estrelas. Scarlett Johansson lidera a trama com aquele misto de vulnerabilidade e garra que já a levou a lutar contra robôs assassinos, alienígenas sensuais e homens em crise existencial. Agora, trocou tudo isso por Delores, um pequeno dinossauro animatrónico que tem nome, personalidade e, quem sabe, até tem conta de Instagram.
E atenção: na antestreia, a atriz apareceu vestida de rosa. Não para caçar dinossauros em modo Barbie do Parque Jurássico, mas para mostrar que blockbuster também pode rimar com charme e ironia. E o filme sabe disso.

Spielberg Está em Todo o Lado a Espreitar por Trás de um Arbusto Digital
O realizador Gareth Edwards — que já tinha feito robots, galáxias longínquas e criaturas gigantes — traz aqui uma realização segura, competente, com ecos visuais de Spielberg em cada plano da selva, em cada sombra que anuncia um rugido, em cada criança que corre de olhos esbugalhados. Spielberg não está no ecrã, mas paira por lá como um fantasma digital ou um T-Rex em standby.
É como visitar o Jurassic Park original, mas com menos surpresa e mais nostalgia. É como se voltássemos à terra da nossa infância e vemos que construíram um centro comercial onde antes havia florestas.
Os Dinossauros Agora Curam Doenças (Ou Quase)
E a história? Bem… imagine-se um enredo que junta ADN, farmacêuticas misteriosas e dinossauros em vias de extinção (outra vez). Parece uma metáfora? Talvez. Parece um episódio de “CSI: Parque Jurássico”? Também. Mas funciona, porque ninguém aqui está a fingir que isto é Shakespeare. É entretenimento bem feito, com uma piscadela de olho ao absurdo e outra ao coração.
A Banda Sonora que Toca (Mesmo)
Jonathan Bailey, saído diretamente da série “Bridgerton” para o mundo jurássico, não só representa como literalmente toca na banda sonora, gravada nos famosos estúdios Abbey Road com 105 músicos. Diz-se que Spielberg sorriu. Diz-se que Delores chorou. Diz-se muita coisa.

Uma Crítica em Modo Estegossauro (Mas Bem Humorada)
Claro que nem tudo corre sobre trilhos fósseis. O argumento anda às voltas, tropeça aqui e ali, e por vezes parece escrito por um paleontólogo entusiasmado com o ChatGPT. Mas o filme sabe rir de si mesmo. E isso, no mundo dos blockbusters, já é meio caminho andado para o céu dos clássicos de domingo à tarde.
No Fim de Contas…
Mundo Jurássico: Renascimento não vem reinventar Spielberg, nem ressuscitar o dinossauro sagrado do cinema dos anos 90. Mas faz algo quase tão difícil: diverte, homenageia, não envergonha ninguém e ainda nos dá Scarlett Johansson a liderar a matilha jurássica, quase com um dinossauro bebé ao colo, que passa para as mãos (ou melhor para a mochila) de uma criança no filme.
É um filme para ver com pipocas, com crianças, com o professor de geologia ou com o presidente da junta da Lourinhã. Porque às vezes, a melhor maneira de reviver um mito… é não levá-lo demasiado a sério.

Veredicto final:
Pode já ninguém ligar aos dinossauros. Mas há filmes que, como os fósseis da Lourinhã, merecem ser redescobertos. E este, pelo menos, não cheira a mofo. Não é Professor?
O Melhor:
Scarlett Johansson em modo estrela, os toques visuais de Spielberg, Delores (óbvio), e a capacidade do filme de nos fazer rir com ele, não dele.
O Pior:
Um enredo que parece perdido num labirinto jurássico, mas que acaba sempre por encontrar a saída.
©José Vieira Mendes/Imagens de Fundo


