“O 007 da Série A e o Vilão dos Golos do Sporting: McTominay e Gyökeres no novo James Bond?”
A nova dupla do cinema de ação podia muito bem vir dos relvados: um com sotaque escocês e pontapés de bicicleta, o outro com cara de viking e estatísticas de supervilão.

Já vimos James Bond ser tudo: inglês, irlandês, galês, até australiano com licença temporária para matar (olá, George Lazenby). Mas nunca vimos Bond…como meio-campista. E muito menos um vilão sueco com 68 golos e um ar de quem acaba de sair de uma saga islandesa sobre vingança, tipo “A Guerra dos Tronos”.

Pois bem: está na hora de pensar fora da caixa ou neste caso, fora dos relvados. Porque se o novo Bond vai ser dirigido por Denis Villeneuve (o homem que pôs areia filosófica em “Duna” e lágrimas existenciais em “Blade Runner 2049”), então a coisa pede casting arrojado. E eis a proposta: Scott McTominay como 007 e Viktor Gyökeres como o seu arqui-inimigo.

Sim, leu bem. McTominay, o escocês de aço inoxidável — como Sean Connery — que passou de encostado no Manchester United e agora é um semideus em Nápoles (Società Sportiva Calcio Napoli— cujo o presidente por sinal é Aurelio De Laurentiis —, tem tudo: o físico, a elegância, o sotaque, a frieza nos momentos decisivos e um pontapé de bicicleta que podia perfeitamente rebentar facilmente com um helicóptero da Spectre. Dizem que em Nápoles já nem lhe chamam Scott, é só “McFratm”, — significa ‘meu irmão’ em napolitano, ou McBro!) — algo que soa ao nome de código ideal para um agente secreto com permissão para fazer abanar a Serie A e os ecrãs de cinema.

E a verdade é que o homem já mostrou que sabe entrar em campo com gravidade dramática: é meio Daniel Craig, meio Sean Connery, com um toque de hooligan bem penteado. Imaginem-no a saltar de um telhado veneziano para o tejadilho de um Alfa Romeo em chamas, enquanto diz ao vilão: “you picked the wrong midfielder, mate”. Arte.

Mas e o vilão? Fácil. Viktor “Goleador Gélido” Gyökeres, claro. O sueco com nome de chefe final de videojogo, máscara de pokerface, e uma vingança pessoal contra a Premier League. O tipo que marcou mais do que Harry Kane e sorriu menos do que o Sphinx de Gizé. Que outro rosto melhor para um antagonista Bond à moda antiga? Loirão, nordicamente impiedoso, com o porte de quem diz frases como “Mr. Bond, I don’t miss.” E é verdade: não falha mesmo.

Este é o tipo de vilão que vive num bunker de betão com vista para o fiorde e passa o tempo a disparar bolas de futebol contra mísseis intercontinentais. O seu plano maléfico? Criar uma liga europeia só com ele próprio, para marcar 10 golos por jogo até o planeta se render. E ainda por cima já tem experiência em vingança: foi ignorado em Brighton, humilhou meio campeonato inglês e agora depois de deixar o Sporting CP à força e os seus adeptos lixados, quer regressar pelo Arsenal, como o ex ressentido que comprou um Aston Martin só para estacionar em frente à sede do antigo clube.

Claro, isto tudo só faz sentido se Villeneuve estiver disposto a arriscar. Porque o risco está aí: entre um Bond deprimido a beber kombucha orgânica na Lapónia e um vilão que cita Nietzsche enquanto cabeceia foguetes, há muito para saborear.

Amazon? Que se amanhe. Que continue a entregar fraldas e gadgets Q-tech em drones Prime. Mas se quiser mesmo revolucionar o universo Bond, então que pegue nestes dois jogadores e diga ao mundo: “a era do futebol de ação chegou aos cinemas”. McTominay salta de helicópteros, Gyökeres treina em campos minados e Villeneuve filma tudo com aquele filtro bege-existencialista.

No final, tudo se resume a uma pergunta essencial: por que não? Se já tivemos um Bond que lutava contra tubarões com laser e outro que andava de jetpack em Havana, por que não agora um 007 escocês que sai do balneário direto para salvar o mundo?

Pelo menos garantimos uma coisa: o filme ia acabar com um golo. De bicicleta. Ao som de Adele. E com Villeneuve a sorrir discretamente atrás da câmara, a pensar: “Bond, my Fratm Bond.”

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